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    Pesquisa de aluna da Unisa associa infarto à falta de perdão

    “Quando você perdoa, está principalmente fazendo um bem para si próprio”. A frase pode parecer de livro de autoajuda, porém, a ciência conseguiu mostrar a sua veracidade. Quem comprovou isso foi uma aluna da Universidade Santo Amaro – Unisa, que se debruçou sobre o tema durante o Mestrado em Ciências da Saúde e apontou uma associação entre a dificuldade de perdoar e a ocorrência de infarto agudo do miocárdio.

    A defesa da sua dissertação foi realizada no final do ano passado, mas ganhou repercussão na grande imprensa em junho durante o Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), com reportagens no jornal Estado de São Paulo, citação no programa Encontro/Rede Globo, Jornal da Band, Jornal do SBT e reprodução em mais de 70 sites. “Fiquei muito feliz, as pessoas estão absorvendo de maneira muito positiva”, afirma a psicóloga, formada na Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Psicanálise.

    A escolha do tema
    Suzana Avezum explica que, em sua vivência no consultório de psicologia, percebeu que os pacientes sempre chegam com algum tipo de sofrimento psíquico-emocional, que na maioria das vezes tem origem em mágoas, ressentimentos e situações mal resolvidas no passado. “Eles melhoram muito quando conseguem perdoar o ofensor. Me chamou a atenção o poder do perdão”.
    Além disso, Suzana é esposa do médico cardiologista e pesquisador Dr. Álvaro Avezum, que atua no Instituto Dante Pazzanese e é professor de Medicina da Unisa. Fundador do grupo de estudos sobre espiritualidade e religiosidade na Sociedade Brasileira de Cardiologia – GEMCA, o marido sugeriu o tema relacionado ao infarto agudo do miocárdio.

    A pesquisa
    Realizada dentro do Instituto Dante Pazzanese, a pesquisa é um estudo caso-controle, com 130 participantes. Metade era de pacientes internados em unidade de terapia intensiva devido infarto agudo do miocárdio e a outra de pessoas sem doença cardiovascular conhecida.
     “Os dois grupos contavam com o mesmo número de homens e mulheres e mesmo nível socioeconômico e de escolaridade, sempre obedecendo um pareamento para torná-los mais homogêneo possível”, explica. Foram aplicados questionários sobre a disposição para o perdão e sobre espiritualidade e religiosidade.

    Os resultados
    Foi encontrada maior dificuldade para conceder o perdão no grupo dos infartados, comparado ao grupo dos participantes sem infarto, que demonstrou mais disposição para perdoar. Ela destaca que também já existe comprovação científica de que mágoa, pensamentos negativos e ressentimentos geram estresse.
     “O corpo fica em constante exposição a hormônios que levam às respostas fisiológicas de defesa, como adrenalina, cortisol, entre outras substâncias. É uma resposta negativa, principalmente para o coração”, esclarece.
    Outra constatação da pesquisa é que, dentro do grupo dos infartados, os pacientes mostraram ter uma religiosidade organizacional formal, mais rígida, ao contrário dos não infartados, que, por sua vez, demonstrou uma maior espiritualidade.
    A psicóloga considerou importante diferenciar religiosidade e espiritualidade para englobar também os que não têm uma religião definida, ou mesmo os ateus. “Mais espiritualidade pressupõe empatia e uma visão mais positiva da vida. Já a religiosidade é a prática de uma determinada religião, o quanto você segue os ritos e crê nos dogmas.”

     Mas, como perdoar?
    “Perdoar significa abrir mão do direito de se vingar, de ficar com raiva, de nutrir pensamentos negativos em relação ao seu ofensor. Você renuncia a isso e consegue perdoar. Pode até ser uma experiência espiritual, mas é de fato uma experiência muito mais racional”, explica.
    A psicóloga comenta que o sentimento de mágoa é legítimo, pode ser que tenha sido injusta e, às vezes, a pessoa não merece o perdão. “Mas, perdoando, você não está fazendo um bem para ela, mas para si próprio.”
    Confira as dicas da psicóloga:
    - Olhe para si e se conscientize que aquilo faz mal e é preciso enfrentar. Enquanto não entender isso, será difícil a mudança.
    - Perca o preconceito e procure ajuda de um psicoterapeuta. Muitas vezes você não consegue fazer isso sozinho. Ou, se religioso, também pode procurar alguém de confiança da sua comunidade religiosa.
    - Entenda que o caminho não é tentar esquecer. Você vai sempre se lembrar daquele evento, só que vai aprender a lembrar daquilo sem sentir dor. É como uma ferida que cicatriza e não dói mais.
    - Perdão não necessariamente significa reconciliação. “Às vezes a pessoa tem de perdoar alguém que já morreu, então não tem como reconciliar. Outras, a pessoa é tão ruim que você não vai trazer para seu convívio diário.” Basta, portanto, se desvencilhar dos sentimentos negativos.

    O futuro
    A mestra em Ciências da Saúde pretende aprofundar sua pesquisa, atingindo uma população maior. “Para que possamos fazer inferências importantes e com bases mais robustas. Podemos pensar em uma campanha pública sobre o perdão, por exemplo”. Suzana também pretende, de forma paralela, desenvolver um programa para que as pessoas aprendam a perdoar e assim, preservar a sua saúde.


     A Unisa
    “Tenho uma relação de amor com a Universidade”, afirma Suzana, que tem duas filhas estudando medicina da Unisa. Ela disse ter sido bem acolhida pelas professoras Dra. Jane de Eston Armond, Dra. Carolina França e pela reitora da Universidade, Profa. Dra. Luciane Lúcio Pereira. “Meu projeto foi muito bem recebido pelos docentes.”

    Universidade Santo Amaro: 22/07/2019 12:20
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