Evento organizado pela Carta Capital e Envolverde foi registrado pelos alunos de Comunicação Social

Por Aline Rodrigues da Silva*

Em dezembro, os lideres mundiais se reunirão novamente em Copenhague, na Dinamarca, para discutirem sobre as medidas de combate às mudanças climáticas na Terra. O chamado COP 15 surgiu em 1995 e faz parte da Convenção das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima.

Para refletir sobre os potenciais do Brasil em contribuir com uma nova economia global, a Revista Carta Capital e Envolverde se uniram para lançar uma série de publicações trimestrais sobre as ações de sustentabilidade e tendências no país e promover debates com especialistas diversificados do nosso mercado.

Em São Paulo, 13 de outubro, a parceria realizou Diálogos Capitais – Na Rota de Copenhague e contou com a presença de grandes nomes, especializados no assunto. O debate foi dividido em dois momentos e ao final de cada discussão o público interagiu com perguntas.

Com a abertura de Mino Carta, diretor de redação da Carta Capital, o debate trouxe uma análise do cenário atual e a importância desse encontro na Dinamarca para prever ações para os próximos anos. Os paises percebem os efeitos da mudança climática e o quanto é fundamental convencer os EUA a, nessa edição do COP 15, assinar e cumprir o protocolo de Quioto, já que é um país com alto índice de emissão de carbono.

Os convidados para o Diálogo foram unânimes ao reconhecerem que além dessa fundamental decisão dos EUA, em Copenhague será levado em conta e discutido o surgimento de uma nova economia baseada no mercado de baixo carbono. "Serão definidos novos padrões de civilização. Nós temos, pelo menos, nove sistemas ambientais ameaçados, isso impacta em redirecionar o comportamento dos seres humanos", prevê Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos.

A participação do Brasil
O nosso país é uma grande potência nesse novo paradigma da economia mundial. Nós temos a Floresta Amazônica, uma riqueza natural valiosa para essa nova realidade. Por outro lado, o desmatamento ainda é muito grande, sendo responsável por 75% das emissões de carbono de todo o território nacional.

Visar a redução desse índice e a preservação junto ao reflorestamento, ao mesmo tempo em que a floresta e sua diversidade de bioma se torna um potencial na economia mundial nos campos da ciência e da tecnologia, nos tornará exemplo na luta contra o aquecimento global.

A desigualdade social é outra batalha a ser vencida. É preciso um equilíbrio entre a parte econômica, social e ambiental. "Não é a pobreza que derruba a floresta e sim, a riqueza. A pobreza é apenas usada para realizar o desmatamento", lamenta Ana Julia Carepa, governadora do Pará, Estado com maior índice de desmatamento e que prevê reduzir seus números em até 80% até 2020.

Muitas empresas no Brasil esperam do governo "uma visão vigorosa diante das mudanças climáticas e que em Copenhague viabilize o papel das empresas nesse novo cenário", alerta Sérgio França Leão, diretor de Meio Ambiente da Odebrecht Engenharia e Construção. Mas essa não é uma preocupação de todo o setor empresarial. Existem os engajados com a causa e os resistentes as metas de Quioto.

Fontes de energia
O uso de alternativas energéticas como a eólica e a solar são formas de contribuir com a redução de queima de combustíveis fósseis. Já o pré-sal se em seu processo produtivo não aplicar as diretrizes da sustentabilidade, poderá atrasar o desenvolvimento sustentável do país. Em compensação, se utilizado de forma responsável pode contribuir com o investimento em tecnologias que mantenham a produção nacional de baixo carbono.

Um desafio global
Não é fácil quebrar paradigmas sem apresentar um novo modelo que traga lucro, mas não se trata de discutir qual país ganhará e qual perderá com essas mudanças. "O fato é que, se Copenhague não vingar todos sofreram as consequências, é um novo pacto de governança global", conclui Ricardo Young.

Destaque
Acompanhe a programação da TV Unisa e veja mais detalhes sobre a cobertura do evento.

* Aline é aluna do oitavo semestre de Jornalismo.

Publicado: quinta-feira, 12 de novembro de 2009


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