
A insegurança alimentar, definida como a dificuldade de acesso regular a alimentos adequados, está diretamente associada ao aumento no risco para sintomas depressivos. O dado é de um estudo brasileiro conduzido pelo professor Saulo Gil, do Programa de Mestrado em Ciências da Saúde da Universidade Santo Amaro – Unisa, publicado na revista científica Psychiatric Quarterly, da Springer Nature, referência em temas sobre os avanços clínicos, psicodinâmicos e biológicos em saúde mental.
De acordo com o pesquisador, indivíduos em situação de insegurança alimentar apresentam mais sintomas de depressão do que aqueles com acesso regular à alimentação. O professor Saulo Gil destacou ainda que a relação entre insegurança alimentar e sintomas depressivos permaneceu significativa mesmo após o ajuste da análise por múltiplos fatores, como idade, renda, comorbidades e perfil sociodemográfico. Esse achado indica que a insegurança alimentar constitui um fator de risco independente para o desenvolvimento de sintomas de depressão. “Isso reforça que essa condição transcende o aspecto nutricional, abrangendo também dimensões sociais e de saúde mental”, afirma o professor Saulo Gil.
A pesquisa avaliou 315 adultos atendidos em um programa comunitário universitário da UNISA, dos quais mais da metade (58%) foi classificada em situação de insegurança alimentar. Segundo o professor Saulo Gil, “esse resultado evidencia a alta prevalência dessa condição, que impacta múltiplas dimensões da saúde, incluindo a saúde mental, conforme demonstrado no estudo. Diante desse cenário, torna-se fundamental a implementação e o fortalecimento de políticas públicas eficazes, capazes de enfrentar a insegurança alimentar de forma integrada e reduzir seus impactos na saúde da população”.

